“A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CADÁVERES” (PRETOS e POBRES)

O titulo do CD do Rapper Eduardo “A fantástica fábrica de Cadáveres” nos apresenta um enredo recorrente: Em uma periferia qualquer de uma grande cidade, um policial é assassinado (no caso, em um ato bárbaro de latrocínio) e em seguida, vários homens encapuzados saem atirando livremente em moradores de bairros pobres da periferia. Em um dos atos de chacina, gravado pelas câmeras de segurança de um bar, o indivíduo encapuzado pergunta aos moradores já rendidos quais deles teriam passagem pela polícia e em seguida, após separá-los, executa-os a sangue frio, para em seguida sair caminhando tranquilamente. Em outros lugares, o bando simplesmente atirou em quem encontrasse pela frente.

Mapa da Chacina em Osasco e Barueri: Fonte G1

O resultado é assustador: de acordo com os números da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, 19 pessoas foram “mortas” (executadas), dessas, 15 em Osasco, três em Barueri e uma em Itapevi. Se poderia perguntar quem teria cometido tamanha atrocidade? Mas nem mesmo os programas jornalísticos mais reacionários tiveram a coragem de fazer essa pergunta. Ela parece óbvia a qualquer idiota que “ligar os pauzinhos”. #SQN: A Secretaria de Segurança Pública fala-se em linhas diversas de investigação; Os periódicos sangrentos especulam sobre a possível ficha criminal dos mortos e, no caso daqueles identificados como “ficha limpa” (a imensa maioria), fala-se em gente “correta” no lugar e hora errada.

Mas qual seria o lugar errado, nesse caso? O próprio bairro? E àqueles que já tiveram passagem pela polícia, é lícito e legítimo assassiná-los? E agora, o que acontecerá? A REGRA TEM SIDO CLARA!!! Quando a polícia (ou qualquer outro agente de segurança) mata PRETO e POBRE, o ato de matar nem mesmo ganha o título de “assassinato”.

Fala-se apenas em “morte”, e “morte” mesmo, incomoda menos, porque dispensa a necessidade de identificar um sujeito causador… um assassino que precisa ser julgado e punido… morte a gente simplesmente aceita, porque, afinal, ela vem para todos. Principalmente para PRETO e POBRE. Já com os “cidadãos de bem” é diferente: eles “vem a falecer” (no caso de morte natural) ou são “brutalmente assassinados”, nunca, simplesmente, “morrem”, muito menos aos montes, empilhados.

Enquanto isso encontramos a seguinte descrição na fanpage da R.O.TA. “Trancamos a cidade de Osasco, só um recado bandido assassino, se passar na frente é rajada de 7. 62”.

Fan page ROTA

7.62 é o codigo para 7,62mm M964A1, o ParaFAL, um Fuzil de alto poder letal utilizada por este setor da Polícia Militar. Entre os comentários na fanpage da R.OT.A encontramos as mesmas lamentáveis assertivas de sempre “Marginal pode tirar vida de pai de família, de jovem, crianças, mulheres… Mas a polícia não pode exterminar esses vermes porque é crime matar? Na moral, o Brasil tem valores muito invertidos. Acorda gente. E quando acontecer dentro da família de vocês, com um ente querido, com a mãe, namorada, noiva, pai, irmão de vocês, que condenam o trabalho da polícia? Aí vai poder matar vagabundo que tá te fazendo mal?”

ESTÁ EM CURSO UMA POLÍTICA DE EXTERMÍNIO. E ela não começou quando o indivíduo encapuzado apertou o gatilho repetidamente contra a população desta região. Ela se iniciou com a vinda do primeiro navio negreiro e se estende aos nossos dias por mecanismos diversos de controle social de populações e dilaceramento dos corpos que não se adequam ao padrão humano desejado. O extermínio começa pela negação de direitos básicos à parte da população responsável à produção das riquezas do país e se reproduz nos estigmas racistas repetidamente veiculados pelos meios de comunicação, instituição de ensino e grandes empresas religiosas.

Enquanto os/as Negros/as forem vistos como menos humanos que os outros humanos, o seu massacre espetacularmente “exemplar” será tolerado (e cada vez mais desejado) pelos milhões de mentes globalmente teleguiadas.

Cartilha da PM em Diadema

Cartilha da P.M. em distribuída em Diadema

Enquanto tolerarmos a existência de um folder como o distribuído pela Polícia Militar de São Paulo em Diadema, apresentando o negro como bandido e os brancos como “colaboradores” ou portadores de “objeto de valor”; enquanto os jornais sensacionalistas alimentarem e legitimarem impunemente o assassinato de pretos e pobres; enquanto o discurso reacionário e racista de “bandido bom é bandido morto” continuar sendo propagado nos canais brasileiros; enquanto não nos indignarmos o suficiente para PARAR TUDO toda vez que o sangue humano for derramado por aqueles que ganham para nos defender; enquanto não entendermos que é apenas do “lado de cá da ponte” que as chacinas ocorrem, nunca do lado de lá onde se encontram os verdadeiros criminosos legais assassinos que nunca pegaram em armas; enquanto não entendermos que ódio aos haitianos nunca se estende a outros imigrantes vindo da Europa e América do Norte; enquanto nossa indignação se resumir ao “curtir” na internet, seguiremos morrendo como gado.

Aqui, em Salvador, ou em Marte, REAJA CONTRA A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CADÁVERES

GRUPO KILOMBAGEM

kilombagem

A missão do Grupo Kilombagem é a apropriação, produção e difusão de conhecimento a cerca da humanidade e suas principais contradições sociais.

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1 Resultado

  1. rodrigo disse:

    rapaz, que credibilidade tem uma pagina que escreve FUSIL, ta de sacanagem

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