DENÚNCIA DE INTIMIDAÇÃO à Campanha Reaja, Salvador, BA.

DENÚNCIA DE INTIMIDAÇÃO

Salvador 28 de agosto de 2014

No dia 27 de agosto, poucos dias depois da II Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro, chamada e coordenada pela Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, Hamilton Borges dos Santos (Walê), um dos principais articuladores da marcha e J.S.S., cujo nome está sendo preservado por questão de segurança, Coordenadora de Comunicação e membro do Conselho de Mulheres que coordena a Campanha Reaja, foram abordados, entre as 17h40 e 18h pelo Ten. Cel. da Policia Militar Valter Souza Menezes, comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar do Pelourinho, em companhia de aproximadamente 08 (oito) policiais militares fardados e armados, que pararam na porta da Sorveteria Cubana, aguardando a saída dos militantes da Reaja. O referido comandante se dirigiu a Hamilton Borges e disse que ACOMPANHOU TODA A MARCHA e que Hamilton Borges deveria TOMAR CUIDADO COM QUEM FALA NO CARRO que é COMANDANTE DO 18º BATALHÃO E AMIGO DE JOÃO JORGE DO OLODUM, ALAÍDE DO FEIJÃO E FILHO DE SANTO DA CASA BRANCA, QUE NÃO É RACISTA. Que A POLICIA SAI DA COMUNIDADE, QUE SÃO PESSOAS COMO NÓS, MAIORIA NEGRA, QUE OS BONS POLICIAIS NÃO PODEM PAGAR POR QUEM FAZ COISA ERRADA. Que na Marcha, a polícia foi ofendida. Que alguém em cima do carro falou que IRIA JOGAR CAPOEIRA COM A POLÍCIA e que SE VIER DE LÁ A POLICIA VAI DE CÁ. Hamilton perguntou o significado daquela frase e o Comandante do Batalhão disse, depois de refletir sobre seu tom de ameaça QUE A POLICIA PODIA OFICIAR O MINISTÉRIO PUBLICO CONTRA OS ORGANIZADORES DA MARCHA QUE SEGUNDO ELE OFENDERAM A INSTITUIÇÃO POLICIAL MILITAR. Hamilton Borges disse para que ele acionasse o Ministério Público naquele momento, posto que tudo que foi feito na Marcha estava dentro da legalidade. O que Hamilton e J. S.S. e as organizadoras e o conselho da Reaja viram foi um flagrante ato de intimidação e ameaça e lembram que há aproximadamente um ano, poucos dias depois da I Marcha, a residência do Militante Hamilton Borges foi abordada pela Policia Militar, à noite depois das 23 horas, com uma insustentável justificativa de denúncia anônima. Da cidade de Teodoro Sampaio na Bahia surge a informação de que jovens daquela cidade foram abordados por policiais, com armas em punho, tiveram que deitar no chão e tiveram as camisas da Reaja tomadas sob a alegação de que era CAMISA DE BANDIDO. A Campanha Reaja não vai ceder a intimidações ou qualquer tipo de ameaça, mais teme por seus militantes nas comunidades onde atua, teme por seus militantes anônimos, militantes que podem sofrer todo tipo de abuso a qualquer momento. Se o comandante tem algo a falar, que seja dito publicamente diante das instituições de direitos e não de forma ilegal, abordando e intimidando as pessoas na rua em tom de ameaça. Lembramos aqui que é esta prática de intimidação que a Campanha Reaja vem denunciando e lutando contra. Queremos que o Governador do Estado, o Secretário de Segurança Pública, o Ministério Público e a Defensoria Pública se pronunciem sobre o ocorrido. Diante da onda de terror e mortes de militantes que lutam contra uma segurança pública no Estado racista, opressora e violenta, tememos por nossas vidas, integridade física e liberdade de expressão e manifestação. Anexos Relato de abordagem policial. “No dia 23 de agosto de 2014, por volta das 09h, na rua 24 de maio em Teodoro Sampaio- BA, três jovens com idade de 19, 20 e 21 anos foram abordados por dois policiais que trabalhavam no dia. Eles mandaram dois jovens deitarem-se no chão, apontando a arma para eles enquanto um dos policiais agredia fisicamente um dos jovens que se encontrava vestido com a camisa do REAJA. Durante agressão pedia que ele falasse onde estava um outro jovem que não estava naquele momento e, após agressão, o policial mandou que ele tirasse a camisa e disse-lhe que quanto pegasse ele naquele local eles não iriam gostar. Mais tarde, por volta das 16h:00 enquanto eles jogavam uma pelada em um campinho os policiais voltaram a abordar os jovens, com medo eles correram e passaram a noite no mato.” Provocações de policiais militares nas Redes Sociais, relacionando a Campanha Reaja ao crime.

Conferir no blog: http://reajanasruas.blogspot.com.br/2014/08/denuncia-de-intimidacao.html

Katiara

Atua na coordenadoria da igualdade racial da prefeitura de Mauá, Graduada em Serviço Social pela Faculdade Mauá- FAMA. É integrante do grupo Kilombagem desde 2007. Realiza ações de combate ao racismo e machismo além de prestar consultoria à partir da temática de Gênero e é mc, já foi integrante da Banda Amandla e fundadora do Coletivo de Mulheres Mcs (Coletivo Mahins) e participações com Ba kimbuta, no álbum UPP. Atualmente integra o grupo de rap Clã dos Incardidus. Conhecida como Katiara ou Iara, é moradora da cidade de Mauá e é militante do movimento negro e hip hop desde 2006.

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>