Documentário “Mucamas” tem música de Ba Kimbuta, “Marias”

Mucamas

Estou fazendo um curso sobre cinema brasileiro, voltado pra educadores, ministrado pela professora doutora Claudia Mogadouro, embasado na lei que institui a obrigatoriedade da exibição de cinema brasileiro nas escolas. Hoje o tema do encontro foi documentários. Além de aprendermos sobre a imensidão de documentários produzidos no Brasil, compreendi o quanto é necessário problematizar os documentários, uma vez que eles não têm uma visão neutra sobre o recorte que fazem da realidade.

O documentário exibido foi “Mucamas“, de 2015, produzido pelo coletivo “Nós, Madalenas“, que entrevista mulheres que contam suas experiências no trabalho em casas de família. As mulheres entrevistadas são mães das meninas do coletivo de audiovisual , o que o torna mais profundo. Os créditos finais, com as imagens de mães e filhas são regados pela música “Marias” do Mc Ba Kimbuta (direto dos prédinhos de Mauá!).

Após a exibição, traçamos um paralelo de “Mucamas” com o filme “Que horas ela volta” (2015), de Anna Muylaert, que teve grande repercussão e debate sobre as diferenças sociais no Brasil, o que é retratado também no polêmico clipe do Emicida, “Boa Esperança” (2015).

O trabalho doméstico da forma como ainda é no Brasil, nos evidencia uma sociedade que não se envergonha de recorrer a servidão em pelo século XXI. Herança de uma aristocracia escravocrata que nunca quis a abolição, e por isso, “aboliu” a escravidão e nunca permitiu direitos à essas mulheres, na sua ampla maioria, negras, que continuam cuidando de suas casas e de seus filhos. A PEC das Domésticas, neste sentido, foi um pequeno avanço, com a garantia de direitos básicos á essas trabalhadoras, e sofreu muita resistência por parte dos patrões.

Mucamas

Mães e filhas protagonizam o documentário na frente e por trás das lentes.

“Mucamas” mostra os sonhos, as vontades e as conquistas dessas mulheres, e me deixa otimista, que o suor do rosto de Dona Terezinha, minha avó, que foi diarista toda a sua vida, e tinha o sonho da casa própria, conquistado antes de morrer, não foi em vão.

Janaina Monteiro

Formada em Ciências Sociais pela Fundação Santo André. Professora de Geografia e Sociologia da rede pública e particular. Militante do coletivo Kilombagem.

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