Eleições 2014: A Velha Política Externa Tucana

Em relação ao Plano de Governo do Aécio Neves para a Política Externa destaco dois pontos importantes. O primeiro se refere à relação especial que o PSDB almeja estabelecer com a Ásia, com os EUA e com outros países desenvolvidos, e ao mesmo tempo à ampliação e diversificação da relação com os países em desenvolvimento. O PSDB olhará para todos os continentes, dará uma atenção especial aos países mais desenvolvidos e ampliará a relação com os países em desenvolvimento, ou seja olhará para os países ricos do Norte e para os países pobres do Sul. O que não fica claro e não explica para o povo brasileiro é como fará o malabarismo. Um plano que se encontra no campo da subjetividade, com possibilidade de várias interpretações, e nada de concreto. O que é possível extrair deste plano é a atenção especial que dará aos EUA, o que me parece estar em curso é uma submissão a Política Externa Estadunidense, que nada tem de novo, voltará a seguir a mesma política externa aplicada no Governo Collor e ampliada no Governo do FHC.

O segundo ponto se refere ao reexame das políticas de integração regional, e o restabelecimento da primazia da liberalização comercial e aprofundamento dos acordos vigentes neste modelo. O plano é totalmente comprometido com aspiração da nossa atrasada elite brasileira. Algo muito peculiar do PSDB, que nunca tomou medidas efetivas de integração regional, pelo contrário quanto mais distante da américa latina e mais próximo da Europa e dos Estados Unidos melhor para os interesses que defende. Na entrevista concedia a revista Opera Mundi, é possível encontrar à diferenças entre PT e o PSBD – por mais que seja difícil – para a Política Externa. Vejamos, o ex-embaixador Rubens Barbosa, coordenador do programa de governo tucano assegurou que, com Aécio, o Brasil voltaria a uma “política externa pragmática, fugindo das ideologias”. Criticou à atuação da Política Externa do PT, pontuando que as afinidades ideológicas prevaleceram, e se deu prioridade às relações Sul-Sul, deixando em segundo plano os países desenvolvidos. Mas ao priorizarem os países ricos do norte ou desenvolvidos os tucanos também não estariam agindo ideologicamente?

Já em relação aos fatos que vêm ocorrendo nesta campanha eleitoral nada têm de eventuais ou isolados, pelo contrário, são tendenciosos e muito bem articulados a nível internacional. Vejamos, a atitude do Santander em enviar uma carta aos seus clientes ricos afirmando que o eventual sucesso eleitoral da presidente Dilma Rousseff iria piorar a economia do Brasil. Este fato só reforça muito bem para qual classe os tucanos irão governar em uma eventual vitória. Já a bolsa de valores ou melhor o mercado financeiro deixou bem claro que seu candidato preferido não é o PT. Durante o primeiro turno, cada avanço da oposição ou recuo das intenções de voto na presidente Dilma nas pesquisas, a bolsa subia. Como de costume, é 1% tentando manipular os 99% da população. E por último, a reportagem da revista britânica The Economist dizendo que o candidato do PSDB Aécio Neves “merece vencer”, não surpreende nem um pouco e só reafirma a intervenção do sistema financeiro internacional nas políticas dos estados nacionais.

Os grandes meios de comunicação, o mercado financeiro internacional e a elite conservadora e reacionária brasileira já fizeram suas escolhas, apostaram alto no partido que favorecerá ainda mais o aumento dos seus lucros em detrimento de políticas que melhorem as condições de vida do povo brasileiro. Já nós, trabalhadoras e trabalhadores comuns, assalariados em geral, desempregados, vítimas das políticas que favorecem o capital faremos nossa escolha ou assistiremos o retrocesso que se aproxima?

#ForaPSDB
#AecioNever
#PSDBPartidoDaCasaGrande
#ContraACriminalizaçãoDasLutasSociais
#ContraOGenocidioNegro
#ContraAReduçãoDaMaioridadePenal

Rafaela Araújo

Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Paulista e integrante do Grupo KILOMBAGEM

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