Encontro 2 – Grupo de Estudos “Particularidades do Capitalismo Brasileiro” – GT Trabalho – Kilombagem

Discussão: A Via Colonial de Entificação do Capitalismo, José Chasin

Na noite do dia 17/01, tivemos nosso 2º encontro do grupo de estudos “Particularidades do Capitalismo Brasileiro”, tendo como foco o texto “A Via Colonial de Entificação do Capitalismo”, de José Chasin (1977), com mediação de Felipe Choco e a participação de Leila, Regina, Deivison, Heraldo, Katiara, Talita, Bergman e Rafaela. O texto faz parte de uma compilação de artigos de Chasin que deu origem ao livro A Miséria Brasileira – 1964 – 1994 – do golpe militar à crise social – Estudos e Edições Ad Hominem, 2000.

O autor discute, dentre outras coisas, o desenvolvimento do capitalismo na Alemanha, na Itália e no Brasil, países que apresentaram formas distintas de chegar ao capitalismo, ou seja, não passaram pela via clássica, como a França, por exemplo, tiveram um desenvolvimento tardio do capitalismo. A Alemanha teve um desenvolvimento tardio do capitalismo, a chamada via prussiana, partindo do passado feudal, mas com reformas ao invés de revolução e, ainda, conciliação do novo e do velho, ao contrário da via clássica em que há ruptura com as formas antigas. Percebe-se um “caráter retardatário e conciliador”, fato que leva à concluir que o Brasil teve a mesma trajetória, isto é, fez sua transição para o capitalismo pela via prussiana.

No entanto, Chasin nos chama a atenção para alguns pontos. Apesar das muitas semelhanças com o processo alemão de capitalismo tardio, o Brasil teve distinções que os aproximava, em alguns aspectos, do caso norte-americano. Dadas às suas especificidades, o autor demonstra que o caso brasileiro culminou em um capitalismo hiper-tardio, com a presença do “caráter retardatário e conciliador do processo alemão”, mas com um “modo particular de se constituir e ser capitalismo”. O latifúndio surge  a partir da empresa colonial e a industrialização, sendo característica da sociedade moderna, desenvolve-se tardiamente e manteve o país na condição de subordinado na economia internacional. Temos, então, a conciliação do velho e do novo, no contexto em que as transformações políticas foram feitas “pelo alto”, com destaque a partir dos anos 1930 (Revolução de 30), com auge em 1956, quando a produção industrial ultrapassa a agrícola em termos de participação na economia nacional, além de concessões e ausência de participação do povo. A produção industrial continuou voltada para o mercado externo – foco nos insumos/matéria-prima – daí, vemos o sentido da colonização, novamente, como apontado por Caio Prado Júnior.

Chasin define, então, como “via colonial” a forma de desenvolvimento do capitalismo no caso brasileiro. Para a burguesia agrária, o ‘novo’ não interessava, então, constitui-se um capital atrófico em que a burguesia nacional é dependente e submissa às demandas externas.

Dada a complexidade do texto, os presentes consideram a possibilidade de retomar a discussão em outro momento.

Regina Maria da Silva

Professora (Prefeitura de Santo André/CEQ Educacional/Aliança Educacional ABC), Graduada em Pedagogia e Ciências Sociais, Especialista em Magistério do Ensino Superior, Mestra em Educação: História, Política, Sociedade e Pós-graduanda em Educação Infantil e Políticas de Promoção da Igualdade Racial na Escola http://www.igualdadenadiversidade.blogspot.com.br/ Twitter: @educdiversidade Facebook: https://www.facebook.com/pages/Igualdade-na-Diversidade/109034675872488

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