Massacre não é legítima defesa!

tributomaesdemaio

“Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo…

quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!

O ser humano é descartável no Brasil.

Como modess usado ou bombril.

Cadeia? Claro que o sistema não quis.

Esconde o que a novela não diz.”

         (“Diário de um Detento” trecho do rap do grupo Racionais MC’s, escrita pelo ex-detento Jocenir.).

 

Nós do Kilombagem, manifestamos nossa indignação, diante da decisão do Tribunal de Justiça que anula o veredicto dos 5 júris que condenaram 74 PMs pelo massacre do Carandiru. Um dos episódios mais cruéis e desumanos da história do sistema prisional mundial que aconteceu na Casa de Detenção do Carandiru em São Paulo, em 03 de outubro de  1992.

Legítima defesa 24 anos depois do massacre nos parece mais uma demonstração de poder daqueles intitulados os guardiões das leis da justiça burguesa. A  anulação do julgamento nesta conjuntura,  onde o crescente  aumento da pobreza terá como desdobramento direto o aumento de violência, nos faz pensar que dentro da história do Brasil o projeto político eugênico de criação e caça ao inimigo interno, ainda vigora na vida real de pobres e pretas/os.

A letalidade da polícia contra pobres e pretas/os representa cerca de 60% do total de homicídios cometidos pela corporação. Neste contexto a população carcerária não é uma exceção, ela está na engrenagem do modus operandi do Estado favor do genocídio da população negra.

O Estado genocida utiliza diversas alegações para assassinar pessoas pobres, negras e encarceradas e continuar impune, desta vez sob a alegação de “legítima defesa”,  o que equivale a dizer que não houve crime cometido pelos agentes do massacre,  abrindo o precedente legal para que o Estado e seu braço de segurança, a Polícia Militar, promovam execuções sumárias e depois se absolva, incentivando a barbárie, o que para nós é inadmissível.

É preciso pensar numa nova sociedade, com a quebra desse paradigma em que a segurança é entendida como violência, repressão e morte aos mais vulneráveis, pois o Estado, por meio de sua justiça, continua legitimando a violência contra seu alvo preferencial.

 

Pensar sobre o significado de uma ação como essa nos remete a uma história de escravidão onde a coisificação o corpo preta/o significou prazeres e riquezas para o senhores e um mote de mazelas embrulhadas em histórias de  lamentos, de canções, de dores, de trajetórias e de vidas.

Quando uma juíza se utiliza de sua condição de classe para posicionar seu racismo, ela torna nossa existência ainda mais frágil.

 

 

 

kilombagem

A missão do Grupo Kilombagem é a apropriação, produção e difusão de conhecimento a cerca da humanidade e suas principais contradições sociais.

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1 Response

  1. João Oliveira disse:

    A recente permissão de invasão de domicílios sem mandado como aprovado pelo STF, somad à decisão de poder recolher à cadeia quem foi condenado em segunda instância ampliam a ação contra os pobres e periféricos. Gente preta guerreira vamos sonar força e fazer um grande ato de 20 de novembro e preparar uma grande resistência

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