Nonagésimo aniversário de Fanon – DESCOLONIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

CURSO KILOMBAGEM – FANON VIDA E OBRA

O Post de hoje, reúne os autores que identificam em Fanon os subsídios para presença do colonialismo na produção de conhecimento e, sobretudo, como empreender saberes descolonizados.

Mate Mesie - Conhecimento

O primeiro texto, de Nádia Maria Cardoso da Silva apresenta o conceito de “Descolonização epistemológica”.

Segundo afirma, o seu interesse no texto foi “apresentar Fanon como um intelectual afro-diaspórico fundamental para entendermos a sociedades contemporâneas estruturadas pelo colonialismo e de importância singular e marcante para entendermos o fenômeno do colonialismo epistemológico e sua contribuição para o racismo. Mas além disso, quis também apresentar Fanon como um intelectual que exercitou a produção de conhecimento descolonizado, desafiando assim a hegemonia do conhecimento eurocentrado. ”

Acesse aqui: DESCOLONIZAÇÃO EPISTEMOLÓGICA A PARTIR DE FRANTZ FANON 

 

O segundo texto, de Nelson Maldonado-Torres  busca, a partir de Fanon e Quijano,  examinar a articulação entre raça e espaço na obra de vários pensadores europeus. Centrando-se no projecto de Martin Heidegger de procurar no Ocidente as raízes, denuncia a cumplicidade desse projecto com uma visão cartográfica impe- rial que cria e separa as cidades dos deuses e as cidades dos danados. O autor identifica concepções análogas noutros pensadores ocidentais, sobretudo em Levinas, Negri, Zizec, Habermas e Derrida. Ao projecto da busca das raízes, com os seus pressupostos racistas, ele opõe uma visão crítica, inspirada em Fanon, que sublinha o carácter constitutivo da colonialidade e da danação para o projecto da modernidade europeia. O autor conclui com um apelo a uma diversalidade radical e uma geopolítica do conhecimento descolonial.

Acesse aqui: A topologia do Ser e a geopolítica do conhecimento. Modernidade, império e colonialidade 

 

 

HOJE ATOS NACIONAIS CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL  

CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

 

Deivison Nkosi

Professor e pesquisador. Integrante do Grupo KILOMBAGEM

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1 Response

  1. Erica disse:

    A depender dos processos históricos e coloniais de cada nação, o racismo pode atuar por meio da construção de categorias raciais distintas como sexo, cor, etnicidade, língua, cultura, religião, tempo e geografia, mas o que é comum nas distintas experiências de racismo é a experiência hierarquizada de não-humanidade, como sugere Ramon Grosfoguel (2011, p. 98-99):
    “A racialização ocorre através de marcar corpos. Alguns corpos são racializados como superiores e outros corpos são racializados como inferiores. O ponto importante para Fanon é que aqueles sujeitos localizados no lado superior da linha do humano vivem no que ele chama “zona do ser”, enquanto que aqueles sujeitos que vivem no lado inferior desta linha vivem na zona do não-ser”, para estes as categorias zoológicas ilustram bem o que Fanon descreveu como animalização e objetificação constituídas no des-encontro colonial e que persistem colonialmente nos imaginários, materializando-se, entre outras duras expressões, nos constantes massacres contra os jovens negros em nosso país.
    “Não tenho o dever de ser isto nem aquilo… [...] Descubro-me no mundo e me reconheço com um único direito: aquele de exigir do outro um comportamento humano” (FANON, 1983, p. 187).

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