Nonagésimo aniversário de Fanon – O NEGRO/AFRICANO E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

CURSO KILOMBAGEM – FANON VIDA E OBRA

Os textos de hoje não são de Fanon, mas sim, reflexões construídas a partir de seu pensamento. O Assunto escolhido é o Negro/Africano e a produção de conhecimento. Fanon   O primeiro texto é de Deivison Mendes Faustino (esse que vos escreve sob a alcunha de Deivison Nkosi),  busca denunciar o quanto o racismo não se resume à inferiorização de tudo que se entende por negro e africano, mas também, se manifesta na impossibilidade de pensa-los como sujeitos históricos, produtores de conhecimento. O segundo, de Ivo Queiroz e Gilson Queluz, a discussão aponta para um dialogo crítico com os clássicos da teoria do reconhecimento, para em seguida, avançar para além da denúncia implícita ao primeiro artigo, de forma a provocar uma reflexão sobre as possibilidades de construção de códigos técnicos descolonizados.

Banner do Projeto OGUNTEC: Programa de Estímulo à Ciência para Jovens Negros e Negras – INSTITUTO STEVE BIKO – BA

FAUSTINO, D. M. . A emoção é negra e a razão é helênica? Considerações fanonianas sobre a (des)universalização do. Revista Tecnologia e Sociedade (Online) , v. 1, p. 121-136, 2013
Resumo
Ao apresentar o colonialismo como espinha dorsal da sociabilidade moderna (capitalista) Frantz Fanon expõe as reificações presentes nas representações da “civilização ocidental” como expressão (universal) do gênero humano. Nestas figurações, insiste o autor, o não-europeu (O “outro”), quando não é invisibilizado, é reconhecido apenas como subcategoria (específica), reduzido às suas expressões lúdico-corpóreas, contrapostas à ciência, moral e civilidade. Em contraposição a este esquema, o Negro se lança à luta por autodeterminação e reconhecimento, mas no meio do caminho está sujeito a enroscar-se em atraentes armadilhas criadas pelas contradições que deseja superar. Este paper seleciona alguns trechos escritos ao longo da vida de Fanon e discute as suas implicações para o desvelamento da (des)universalização do negro e a sua desvinculação de temas como ciência e tecnologia.

Imagem: Cheiq Ant Diop em seu laboratório

Presença africana e teoria crítica da tecnologia: reconhecimento, designer tecnológico e códigos técnicos

Queiroz, Ivo, E Queluz, Gilson. “Presença africana e teoria crítica da tecnologia: reconhecimento, designer tecnológico e códigos técnicos”.  Simpósios Nacionais de Tecnologia e Sociedade (2011): n. pág. Web. 2 Jul. 2015
Resumo
Este trabalho desdobra-se a partir a partir da audiência desta questão: haveria alguma conexão possível entre o conceito de reconhecimento, levantado por Frantz Fanon, em Pele negra máscaras brancas e debatido na sociologia contemporânea e uma participação efetiva do povo negro na tecnologia subversivamente democratizada? O arrazoado sobre este problema contempla as teorias do reconhecimento, a partir da formulação de Hegel, no livro Fenomenologia do espírito, da violência, conforme sistematização de Marcelo Perine e do design técnico, via Enrique Dussel e Andrew Feenberg. Deste último, contempla-se também a teoria dos códigos técnicos. A intenção do raciocínio é argumentar que o design tecnológico e os códigos técnicos estabelecidos para a tecnologia e a educação tecnológica praticam violência contra o negro ao não reconhecê-lo e o deixando por sua própria conta.

Deivison Nkosi

Professor e pesquisador. Integrante do Grupo KILOMBAGEM

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