Nonagésimo aniversário de Fanon – Racismo e Cultura

O texto de hoje é Racismo e cultura, elaborado por Fanon para a sua conferência no I Congresso de Escritores e Artistas Negros, em Paris. O texto também será abordado no Curso Fanon

Artista Michel Cena 7

O encontro foi realizado em 1956, quando Fanon, que nasceu na Martinica, já atuava como médico psiquiatra em Blida na Argélia. Essa informação é importante porque na Argélia da época, iniciava-se um amplo processo de mobilização popular e protestos contra o colonialismo francês. Esta mobilização foi recebida com muita violência pela França colonialista, e com isso, o clima político do país ficava cada vez mais tenso.

A esse momento, Fanon já mantinha contato com os integrantes da Frente de libertação Nacional da Argélia e com o Movimento de Negritude francês, liderado por Alaine Diop, Aimé Cesaire, Leon Damás, Leopold Senghor e outros.

A relação de Fanon com o Movimento de Negritude sempre gerou muitas polêmicas entre os estudiosos de seu pensamento. Para uns, ele comporia uma ala mais radical da negritude que buscou ir além da sua dimensão cultural, para outros, a sua crítica apontavam para uma ruptura.

O fato é que a presença de Fanon ao Congresso, contribuiu tanto para que as suas ideias ficassem conhecidas internacionalmente  quanto para que ele estabelecesse contato com outros intelectuais africanos que identificavam nas vias revolucionárias, o caminho para a descolonização do continente. Entre esses intelectuais, destacam-seJacques Rabemananjara e Mario de Andrade, que anos depois, se tornaria o principal articulador da independência angolana.

O Congresso de Escritores e Artistas Negros foi organizado pela Revista Présence Africaine, coordenada por Alaine Diop, e contou com a participação de mais de 600 pessoas de diversas nacionalidade. Um fato pouco comentado, é que havia um brasileiro nesse encontro.

I Congresso de Escritores Negros - KILOMBAGEM

A comunicação de Fanon para o Congresso resultou no famoso texto Racismo e Cultura, publicado em seguida pela Revista Présence Africaine e , posteriormente em 1964 na coletânea de textos Pour la révolution africaine. Ficam nítidas ao longo da comunicação algumas de suas diferencas em relação ao movimento de negritude, e a sua preocupação em apontar os nexos entre economia, cultura e subjetividade na análise da situação colonial.

Para além disso, destaca-se na comunicação a preocupação de Fanon com o caráter mutante do racismo. Para ele, o antigo racismo “científico” – baseado em argumentos biológicos  - já estava sendo questionado pelos próprios órgãos de poder que dele se beneficiaram. Em seu lugar, desenvolvia-se novas formas de racismo, que apesar de baseadas na anterior, passavam a identificar na culturais elementos de sustentação. Essa mutação, para Fanon não representava um avanço para a luta antirracista, mas sim, a capacidade do racismo se adequar à novas necessidades e contextos, sem com isso deixar de ser um elemento de manutenção de poder e privilégios.

O texto é um clássico, e leitura obrigatória para entender o pensamento de Fanon.

Você pode acessá-lo aqui

Boa leitura!!!

 

Para os desavisados: 18 razões para dizer não à redução da idade penal no Brasil 

 

Emancipate yourself from mental slavery:

Dizzy!!!!!!!!!!!!!!!!

Deivison Nkosi

Professor e pesquisador. Integrante do Grupo KILOMBAGEM

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