NOTA PÚBLICA DE APOIO À CAMPANHA “REAJA OU SERÁ MORTO, REAJA OU SERÁ MORTA!” E REPÙDIO ÀS AÇÕES DA RONDESP NO BAIRRO CABULA, SALVADOR, BAHIA.

NOTA PÚBLICA DE APOIO À CAMPANHA “REAJA OU SERÁ MORTO, REAJA OU SERÁ MORTA!” E REPÙDIO ÀS AÇÕES DA RONDESP NO BAIRRO CABULA, SALVADOR, BAHIA.

Alexsandro bahiano executado

“O Sistema quer você no busão irritado com a marcha contra o genocídio que deixa o trânsito engarrafado”.

Eduardo Taddeo (Álbum e música: A fantástica fábrica de cadáver).

A Campanha Reaja nasce de várias articulações negras baianas impulsionada sob a iniciativa da organização Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária, que é a principal mobilizadora e têm acompanhando pessoas com parentes encarcerados e às familias que tiveram seus entes perdidos nessa guerra, com articulações com o Hip-Hop baiano junto com outros coletivos. Esta campanha surge para denunciar o genocídio de Estado promovido à partir da política de segurança pública estadual, que têm promovido ações ilegais de execuções sumárias, torturas nas prisões, chacinas, seqüestros forçados dentre outros crimes contra a população negra baiana em especial aos jovens que se enquadram no perfil do suspeito padrão: moradores de bairros periféricos.

Essa nota vem saudar essa luta contínua, que completam 10 anos de campanha e diante de poucos avanços frente o combate ao genocídio (visto que os assassinatos não tem diminuído), viemos à público apoiar os guerreiros e guerreiras que ousam não abaixar a cabeça, nem desanimar frente às estatísticas sangrentas para denunciar essa política terrorista de Estado que só favorecem brancos ricos e por outro lado, omitida pelos governos ditos “democráticos e populares” diante de um silenciamento tanto midiático quanto político frente às lágrimas de familiares que tiveram seus filhos assassinados; vítimas desse mesmo Estado que quando não nos mata diretamente com a bala, nos mata com a ausência e ou a precarização do acesso aos direitos sociais básicos.

Os militantes da campanha Reaja sofre retaliações desde seu surgimento. Nos bairros onde moram militantes da campanha são as regiões onde mais ocorreram execuções. Essas não são as primeiras execuções: a primeira, de retaliação, foi o assassinato de um militante da Campanha, que antes de morrer ouviu do policial que atirou “Reaja agora neguim!” e sem dó apertou o gatilho, contra uma liderança importante da quebrada Nova Brasília, que é o Rapper, Mc Negro Blul, assassinado próximo à sua casa, há 09 anos atrás. Era um mano de grande respeito no hip hop e forte admiração na luta e teve a vida interrompida no auge dos seus 22 anos.

E as mortes não páram! No nordeste elas só aumentam: a taxa anual de homicídios na Bahia cresceu 68% de 2007 à 2013. Ou seja: de 3.222 para 5.440 casos segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Sobre a chacina do cabula, A Reaja mandou em nota:

(…) depoimentos de moradores falam que pessoas foram enfileiradas em frente às viaturas e assassinadas. A polícia fala em quadrilha de roubo a caixa de banco, porém não apresenta qualquer explosivo, não explica como esses bandidos que procuravam assaltar foram mortos perto de suas casas. Há neste contexto uma conta que não bate nas falas oficias, mas o Governador só respeita a versão da policia, ignorando as manifestações dos moradores que estão nesse momento sendo ameaçados, moradores e moradoras cujas vidas correm perigo.” A operação policial na madrugada da última sexta feira (06/02/2015) no bairro do Cabula, em Salvador-BA, resultou em 13 assassinatos em uma só noite! Cada dia que passa essas notícias aparecem como natural, mas não são! E não podemos permitir que sejam naturalizadas!

Não podemos recuar nessa luta que denuncia esse Estado Terrorista e seus agentes intimidam (até mesmo no funeral!), ameaçam, sequestram e matam pra tentar fazer silenciar a voz rouca que clama por justiça. O sequestro do menino Davi Fiúza é uma explícita política de tortura e retaliação ao movimento. Pois as mortes acontecem em bairros periféricos de Salvador e principalmente nos bairros onde há militantes e apoiadores dessa campanha. Como se não bastasse a comum violência policial, agora há uma instituição que está matando mais ainda que é a RONDESP, na Bahia. Dizendo que combatem o crime. Como trata em nota, a Campanha Reaja divulgou:

A Reaja vem enfrentando na rua os inimigos do povo, com suas polícias, seus cães que rosnam famintos por nossas vidas. Lutamos contra os dispositivos racistas de controle em nosso dia a dia de medo, humilhação, mas de luta real. Fundamos núcleos em comunidades, entramos em cadeias, presídios e penitenciárias, fortalecendo a luta de familiares e aliviando a dor de prisioneiros e prisioneiras, e agora diante dos cadáveres expostos, vemos propostas cínicas de se articular na base contra as mortes de homens e jovens pretos no Brasil.

Sobre a chacina do bairro V. Moisés, na quebrada do Cabula, nos perguntamos: Será que comove a população, essas mortes anônimas? Falamos de vidas de pessoas que tiveram o direito ao julgamento negado pelo fato de estarem num padrão de suspeito, segundo a perspectiva Lombrosiana, criminalista-eugênica, portanto racista! O atual sistema penal brasileiro viola direitos e garantias constitucionais fundamentais como a dignidade da pessoa humana, o devido o processo legal (artigo 5º, LIV, CF-88), o contraditória e ampla defesa (art. 5º, LV) a presunção de inocência (art. 5º, LVIII), dentre outras garantias, já que a atuação dos agentes que deveriam garantí-las se manifestam de forma contrária à lei. Mas nos comentários dessas notícias sangrentas, o ditado “Bandido Bom é Bandido Morto” que aparece com frequência, porém, não se aplica à todas pessoas corruptas e ou que roubam: empresários sonegadores de impostos, o assessor do Aécio Neves, o dono da carga do helicóptero com meia tonelada de cocaína, nem um parlamentar que tenha sido comprovado forte envolvimento com corrupção, menos ainda outros bandidos de farda, porque há uma seletividade pra essa pena que é de morte em que o PM é autorizado pelo Estado pra matar e depois perguntar o nome e anda ser aplaudido, como fez publicamente, o governador Rui Costa, ao declarar uma comparação dos Pms da RONDESP com um artilheiro de futebol.

Temos que apoiar as bandeiras legítimas de luta que a Campanha Reaja exige na Bahia, sendo, bandeiras democráticas em defesa da vida e por fiscalização e investigações das ações policiais, quais são: uma profunda investigação das ações da RONDESP; A não criação do BOPE na Bahia; imediata instalação de uma CPI dos Grupos de extermínio e Brutalidade Policial e O controle externo da Atividade policial.

Deste modo, viemos à público repudiar tal declaração do governador e à ação da Rondesp além de apoiar a Campanha “Reaja”. O mundo precisa saber o que acontece com a população negra aqui; como o Estado responde à essas mortes e como a corporação militar segue intocável em suas práticas militares. Práticas, estas, herdadas do período escravista de proteger patrimônio e obediência às idéias do sinhozinho: não só de capturar, mas torturar, prender, matar os que ousam se rebelar. O mínimo que possamos fazer é apoiar, divulgar denunciar e fortalecer as ações da Campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta, que mesmo sob ameaças, intimidações que geram medo, não calará a luta de nossos antepassados, contínua e dolorosa. Seguimos em frente, apesar de todos pesares, seguimos do luto à luta!

Diante desse isolamento geográfico-midiático dessas mortes anônimas, que nós do Kilombagem reafirmamos nosso respeito e admiração à Quilombo Xis, por sua atuação contra essa política genocida e saudamos à todxs seus militantes pelo trabalho realizado nas periferias de Salvador bem como nas penitenciárias com ações de combate ao racismo institucional e mobilizando os movimentos sociais internacionalmente, para a efetiva solidariedade radical negra, que é o verdadeiro sentido panafricanista da luta negra mundial.

Blog da Campanha “Reaja”: http://reajanasruas.blogspot.com.br/2015/01/rondesp-tao-cruel-e-sanguinaria-quanto.html

#LutarNãoéCrime #BastadeGenocídioNegro #LutoChacinadoCabula

Exigimos:

  • A não criação do BOPE na Bahia;

  • A imediata instalação de uma CPI dos Grupos de extermínio e Brutalidade Policial;

  • O controle externo da Atividade policial;

  • Investigação das ações da RONDESP;

  • Não à execução sumária!

  • Pelo direito ao julgamento judicial.

Contra o Genocídio Negro, Nenhum Passo Atrás!

Em apoio à ousada Campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta e em Repúdio às Ações da Rondesp legitimada pelo governador Rui Costa, assinam:

Kilombagem

Mães de Maio

DA – Honestino Guimarães – FSA

Dona Maria Antifascista

Coletivo Mulheres na Luta

Coletivo Negro Carolina de Jesus – UFRJ

Fórum de Enfrentamento ao Genocídio do povo preto – RJ

Rua Juventude Anti-capitalista

Allan da Rosa – Literatura Periférica, Pedagoginga, Edições Toró

OLPN/Fração MNU de Lutas

NEAB-Viçosa- MG

Ezio Rosa – Bicha Nagô

Centro Academico de Serviço Social Dandara – Faculdade Fama – Mauá

Coletivo Feminista Juntas na Luta

Coletivo Akofena de Caieiras

Coletivo Nós da Diáspora

Coletivo DiadeNêga

Blog NegroBelchior – CartaCapital

Uneafro-Brasil

Blog Rap e Filosofia

Do Morro Produções

Coletivo Oralidade Poética

Instituto Luiz Gama – SP

Blog À Beira da Palavra’, da Revista Fórum

Sarau na Quebrada

Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe

Coletivo Rosanegra – Ação Direta e Futebol

Sarau Sobrenome Liberdade

Cultura AfroIndígena nas escolas

CineClube CIDADÃOS ARTISTAS

Coletivo literário Sarau Elo da Corrente

Núcleo de Consciência Negra da USP

Pânico Brutal – grupo de rap

Sidney de Paula Oliveira, advogado, professor e escritor

Núcleo Cultural Poder e Revolução

Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular

NEPAFRO

Associação Posse Haussa

Coletivo Perifatividade

KOFILABA (Koletivo Filhxs do Abassá)

NNUG (Núcleo Negro UNIFESP – Guarulhos)

Projeto Meninos e Meninas de Rua

Bocada Forte

GT Panafricanista MNU SP

Sarau D’Quilo

Jongo do Coreto

Núcleo de Consciência Negra da Unicamp

AMOPAZ – Associação do Moradores da Vila Cristina e Vila da Paz

Movimento AnarcoPunk de São Paulo

Coletivo Faixa de Gazah

MNPR – Movimento Nacional População em Situação de Rua

Guardiões Griô

Negr@Brasa

FQ-RS (Frente Quilombola Rio Grande do Sul)

Quilombo da Família Silva

Quilombo dos Machado

Quilombo da Família Fidelix

Opanijé – grupo de Rap

MPL – SP (Movimento Passe Livre, SP)

Coletivo Minervino de Oliveira – SP

Dê Loná – Grupo de Rap

Coletivo Akina

Projeto “Terça Afro”

Coletivo Comunidade Viva

Nucleo de estudos afrobrasileiros – UNIFESP

Coletivo de Estudantes Negros AfroMack – Faculdade Mackenzie – SP

Intelectualidade Afro Brasileira (Grupo do Facebook com mais de 17 mil membros)

Associação do movimento de moradia – Vila Nova Grajaú

Práxis Direitos Humanos

Movimento Hip-Hop Organizado (MH2O)

Casa das Crioulas

Coletivo de Esquerda Força Ativa

Oficina de Tambores Africanos de Jundiaí

Carlos Latuff, cartunista

Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada

Fórum Municipal de Hip Hop de São Bernardo do Campo

Sarau do Fórum de Hip Hop – SBC

Comitê Contra o Genocidio da População Preta Pobre e Periférica - SP

Tortura Nunca Mais

Fábio Emecê

Moraez Mc

Rocha

Favela do Moinho – SP

Coletivo de Hip Hop Lutarmada

Conselho Regional de Psicologia de São Paulo – CRP – SP

Coletivo Malungada

Associação Frida Khalo

Coletivo Negro – USP

Ciclo Contínuo Editorial

PSCB -Polo Social Cívico Brasilândia

Tribunal Popular

Instituto do Negro de Alagoas – INEG/AL

AMPARAR

Comitê pela Desmilitarização da Polícia e da Política – SP

Marcha Jundiaí

União dos Coletivos Pan Africanistas – UCPA

Edson Ikê

Fernanda Amaru

Fábio F. S. Massari

Marcha Mundial de Mulheres

Comitê Brasília/DF da Marcha (Inter) Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro

Ativismo ABC

Coletivo de Mulheres Negras Não Mais, Não sinhô!

Tarifa Zero Salvador

Anarcafeministas-ES

Movimento Passe Livre Grande Vitória

Bonde das Roleteiras  

Anarquismo Negro

Movimento Passe Livre do Rio de Janeiro
 
 

Katiara

Atua na coordenadoria da igualdade racial da prefeitura de Mauá, Graduada em Serviço Social pela Faculdade Mauá- FAMA. É integrante do grupo Kilombagem desde 2007. Realiza ações de combate ao racismo e machismo além de prestar consultoria à partir da temática de Gênero e é mc, já foi integrante da Banda Amandla e fundadora do Coletivo de Mulheres Mcs (Coletivo Mahins) e participações com Ba kimbuta, no álbum UPP. Atualmente integra o grupo de rap Clã dos Incardidus. Conhecida como Katiara ou Iara, é moradora da cidade de Mauá e é militante do movimento negro e hip hop desde 2006.

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