Reflexões sobre o “mês das mulheres”

8 de março

Por Hosana Meira da Silva

O dia internacional da mulher vem sendo romantizado, dia esse conquistado com muita luta e sangue derramado, dia que deveria ser comemorado com reflexões e diálogos entre mulheres e homens, pois, somente juntos conseguiremos transformar essas desigualdades: 52% das mulheres com mais de 25 anos concluíram o ensino médio x 49% dos homens, mesmo assim 81% dos homens estão empregados e somente 59,5% das mulheres, que mesmo exercendo a mesma função tem o salário menor.

Somente 9,6% das cadeiras da Câmara e do Senado estão ocupadas por mulheres.

As oportunidades são desiguais!

Dentro dos valores atribuídos do que é ser homem e o que é ser mulher, existe uma correlação de poder e força que é produzida socialmente. Existem diferenças entre homens e mulheres, mas o que faz essas diferenças se transformarem em desigualdades?

No Brasil, mesmo após a implementação da Lei Maria da Penha (11.340) em 7 de agosto de 2006, uma mulher é assassinada a cada duas horas, os agressores normalmente são os namorados, maridos ou ex-amores.

Uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência doméstica ao longo de sua vida.

As mulheres ainda realizam 6 vezes mais os afazeres domésticos do que os homens, e são prejudicadas de várias formas apenas por serem mulheres.

Fazendo o recorte de raça: na última quarta-feira (16/03/2016), completaram-se dois anos da morte de Cláudia Silva Ferreira, auxiliar de limpeza, casada, mãe de quatro filhos, foi arrastada por uma viatura por 300 metros em uma estrada da zona norte do Rio de Janeiro.

Os 6 policiais estão soltos e não foram sequer julgados pelo crime.

Cláudia Ferreira da Silva Presente

O Movimento Mães de Maio, surgiu pela morte de 493 pessoas nas periferias de São Paulo em 2006, maioria pobre e negro(a), mortos por grupos de extermínio da polícia. As mães e parentes desses(as) mortos(as) pela violência policial se uniram e transformaram suas dores pelas perdas em luta por justiça!

Sobre mulheres encarceradas: Dados do Ministério da Justiça / Departamento penitenciário Nacional 2008: 37,88% brancas / 44,07% pardas / 16,41% negras = 60,48% não brancas.

Em uma matéria para Carta Capital, Douglas Belchior revelou um estudo que comprovou que 100% das presas do Acre são negras.

Tudo isso foi construído socialmente em um dado momento histórico, historicamente nós mulheres sofremos muitas injustiças sociais que precisam ser reparadas, e é fundamental  que na luta pela garantia dos direitos das mulheres os homens estejam presentes, se não contarmos com os homens fica muito difícil uma mudança efetiva pois, vivemos na mesma sociedade.

Somos seres sociais históricos e temos a capacidade de transformar a nossa realidade, mas, para que isso aconteça é preciso reconhecer os privilégios.

O feminismo tem uma contribuição importante para pensarmos uma sociabilidade a partir da não violência e da não inferiorização da mulher.

Precisamos pôr em prática esses pensamentos!

Por Hosana Meira da Silva

Integrante do Samba de Terreiro de Mauá e do Kilombagem

 

 

Rafaela Araújo

Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Paulista e integrante do Grupo KILOMBAGEM

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