Rocinha: A presença do Estado

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Crédito: Raoni Gruber

Rocinha: A presença do Estado

Por Gleice Neves

“Rocinha: A presença do Estado” é um documentário sobre o drama real vivido pelos moradores de uma das comunidades mais conhecidas e queridas do Brasil e do mundo.

Em setembro de 2017 a pedido do governador as forças armadas e a polícia ocuparam a Rocinha, uma das comunidades menos violentas do Rio de Janeiro, para supostamente evitar um confronto entre grupos rivais pelo comando do morro. Com um efetivo de aproximadamente 1000 homens e mesmo sem nenhum mandado em mãos os policiais e demais militares arbitrariamente invadiram casas, agrediram moradores e comerciantes e subtraíram seus pertences.

O cotidiano das famílias foi completamente alterado devido ao fato das pessoas não poderem sair para trabalhar, estudar nem deixar seus filhos sozinhos em casa com medo da sua residência ser invadida e de sofrerem algum tipo de represália por parte dos policiais. Há relatos de famílias que tiveram seus barracos revistados de madrugada, além dos corriqueiros “esculachos”, revistas vexatórias tanto nas dependências de suas casas quanto nas entradas da comunidade e nos becos e vielas. Durante a ocupação militar os moradores também tiveram os serviços de saúde, educação, transportes, dentre outros interrompidos completa ou parcialmente, lhes provocando grandes transtornos.

Esse filme é um olhar sensível e uma escuta atenta do clamor de pessoas trabalhadoras que tiveram seus direitos de transitar, de morar e de viver violados, e que não encontram apoio nem no governo nem nas instituições de direitos humanos ou na grande mídia.

O Coletivo Cinema do Povo esteve na Rocinha durante a ocupação militar e pôde acompanhar um pouco da luta da comunidade por dignidade e direitos básicos, o trabalho da Associação de moradores para restabelecer os serviços e o pedido por paz pelos moradores e comerciantes. O filme traz a discussão sobre a atuação do Estado dentro das comunidades menos favorecidas, onde o braço armado se faz presente e as garantias constitucionais básicas são escassas ou quase nulas, onde todos são tratados como criminosos e são categoricamente privados de seus direitos. 

Link do documentário: Rocinha: A presença do Estado

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Crédito: Raoni Gruber